16.09.11

Conheça o universo de Hélio Leites

Uma figura exótica, livre de padrões e extremamente criativo e cativante. Uma pessoa que prefere a surpresa das cartas escritas à velocidade da comunicação virtual. Formado em Economia, mas antes de tudo criador, artesão, artista das ruas, inventor… Difícil definir Hélio Leites, paranaense, que vive em busca de materiais usados para transformá-los (ou melhor, “transtorná-los”, como ele mesmo diz) em arte. Mas não é qualquer arte. Ele cria miniaturas.

Botões, latinhas, caixas de fósforos e palitos utilizados são alguns de seus materiais prediletos. Ele é capaz de encontrar um sapato velhinho, velhinho, reformá-lo e colocar dentro dele elementos pequeninos que formam uma festa. As cores colocam poesia na arte de Leites. É assim que ele vai dando significado especial às coisas que são descartadas pelas pessoas. Coisas insignificantes ao olhar da maioria, que não enxerga aí outra possilidade que não seja o lixo. Esse ofício, ele ensina às crianças em oficinas de arte no Paraná.

Esse universo tão particular criado pelo multifacetado Hélio Leites pode ser encontrado nas feirinhas populares do Paraná, como a Feira de Artesanato do Largo da Ordem e também no museu. Foi assim que a Virgínia Moraes, idealizadora da Vivire conheceu suas criações e por elas se encantou. Daí para surgir a ideia de unir essas miniaturas coloridas à moda foi um pulo.

As invenções do artista inspiraram a coleção O Significado das Insignificâncias, que marca a Primavera-Verão da marca. São 17 estampas exclusivas, que remetem às formas e cores de Hélio Leites, denominado pelo jornalista Rodrigo Garcia Lopes como buttom-maker-performer-grafic-desinger-multmidiaman.

Perguntado sobre o interesse pelas miniaturas, ele trata logo de responder:

“Faço miniaturas para que não se perca a essência da proporção. Eu estava procurando um suporte que pudesse me expressar e fosse uma coisa fácil de transportar. (…) cabe dentro de uma bolsa tranquilamente, não pesa, e eu consigo me expressar e contar uma história dentro da caixa de fósforo”. E ainda completa: “Se fosse fácil carregar coisa grande, eu faria coisas grandes”.


“Vou nascendo sempre, é só pintar uam chance”

Hélio Leites também gosta de escrever e brincar com as palavras. Faz poemas.  Um deles, Cardume, foi publicado no livro Pequenas Grandezas – Miniaturas de Hélio Leites, de Rita de Cássia Baduy Pires.  Aqui ele traça seu próprio perfil:

CARDUME

Quando eu desperto
desperta um outro dentro de mim
que por sua vez desperta outro
e esse a tantos outros
como se fosse um cardume
por isso eu navego assim
São tantos e tão diferentes
cantando dentro de mim

Voltar para todos os posts